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28 de jan. de 2012

Soldado conhecido como “o demônio” diz que não se arrepende de ter matado 255 pessoas



Um jovem cristão que se define como “um cowboy do Texas” se alistou na Marinha e logo passou a fazer parte da equipe de elite Seals. Em pouco tempo tornou-se o atirador mais mortal da história americana. Essa é a história que Chris Kyle conta em sua biografia,  American Sniper [Atirador de elite americano].
Seu relato foi para as livraria este mês e gerou uma discussão sobre como funciona a mente de um soldado que se orgulha em matar.
Quando as forças americanas foram para o Iraque em 2003, Chris Kyle recebeu um rifle de sniper e pediram que ajudasse um batalhão de fuzileiros a entrar em uma cidade iraquiana.
Uma multidão veio até os soldados. Através da mira telescópica, ele viu uma mulher com uma criança no colo, aproximando-se da tropa. Ela tinha em sua mão uma granada pronta para ser detonada.
“Esta foi a primeira vez que precisava matar alguém. Eu não sabia se seria capaz de fazê-lo, fosse homem ou mulher”, lembra Chris.
“Tudo passou correndo pela minha mente. Era uma mulher, em primeiro lugar. Em segundo lugar, pensei “isso é certo”, é justificável?” Antes de chegar a uma conclusão ele pensou também. “Ela já tomou a decisão por mim. Ou meus compatriotas americanos morrem ou eu a derrubo”. Então ele puxou o gatilho.
Kyle permaneceu no Iraque até 2009. Segundo dados oficiais do Pentágono, matou 160 pessoas. Sua própria contabilidade indica um número muito maior: 255 mortes.  Ele entrou para a história do exército americano como seu “maior franco-atirador”.
Durante seu tempo no Iraque, ele foi batizado de “O demônio” pelas forças inimigas, que chegaram a oferecer uma recompensa de US$ 20.000 por sua cabeça.
Hoje, casado e com dois filhos, ele já se aposentou do exército. Em seu livro recém-publicado  ele afirma não ter arrependimentos.
“É um sentimento estranho”, admite. “Ver o corpo de um morto … sabendo que foi você que causou isso”. Mas o comentário seguinte surpreende. “Cada uma das pessoas que eu matei… Acredito realmente que elas eram más… Quando estiver diante de Deus terei de dar conta de um monte de coisas, mas não por ter matado qualquer uma dessas pessoas… eram selvagens”.
Um estudo sobre snipers feito em Israel demonstra que a religião influencia na maneira como um franco-atirador vê seus inimigos.
“Matar alguém que está muito distante, mas continua sendo uma pessoa”, diz a antropóloga Neta Bar. ”Eu diria que é algo íntimo.”
Ela estudou as atitudes de 30 atiradores israelenses que lutaram nos territórios palestinos entre 2000 e 2003. Uma de suas conclusões é que, enquanto muitos soldados israelenses chamavam os militantes palestinos de “terroristas”, snipers geralmente se referiam a eles como seres humanos.
“A palavra hebraica para o ser humano significa ´filho de Adão´. Esta foi  a palavra que usaram muito mais do que qualquer outro termo quando falavam sobre as pessoas que mataram”, explica.
“Ali está alguém cujos amigos amavam e tenho certeza que era uma pessoa boa, porque fazia isso por ideologia”, disse um franco-atirador que assistiu através das lentes do rifle uma família chorando sobre o corpo de um homem que ele tinha acabado de matar. ”Mas da nossa parte estamos impedido a matança de inocentes, por isso não nos arrependemos”, concluiu ele.
Na maioria das forças militares, atiradores de elite são sujeitos a rigorosos testes e treinamento, sendo escolhidos pela aptidão.  Mas os estudos de Neta Bar apontam que muitos deles só apresentam problemas anos depois da guerra, após retornarem ao convívio social normal.
Para franco-atiradores da polícia, que trabalham no meio da sociedade e não em uma zona de guerra, as dúvidas, ou mesmo o trauma, podem surgir muito mais cedo.
Brian Sain, um policial e franco-atirador no Texas, diz que muitos policiais e atiradores de elite do exército têm conflitos interiores por terem matado de forma “tão íntima”.
“Não é algo que você pode compartilhar com a sua esposa. Não é algo que você pode dizer ao seu pastor”, diz Sain, um membro do Spotter, uma associação americana que apoia snipers traumatizados.
Traduzido e adaptado de BBC
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11 de jan. de 2012

Um soldado cristão pode matar durante uma guerra? O que a Bíblia fala sobre isso?



'Matei 255 pessoas e não me arrependo', diz ex-atirador americano Chris Kyle, em livro lançado nos Estados Unidos
O atirador reformado Chris Kyle ficou conhecido no Exército americano por ter matado 255 pessoas no Iraque se tornando o atirador mais letal da história da corporação. Mas apesar de parecer uma coisa ruim o soldado não se arrepende e diz está com a consciência tranquila diante de Deus.
“Era meu dever. Não me arrependo”, escreve Kyle que comentou que adorava o que fazia. O atirador esteve quatro vezes em missão no Iraque e escreveu um livro contando sobre isso, o “American Sniper” (“Atirador de elite americano”, em uma tradução livre e literal)  que está sendo lançado pela editora HarperCollins.
“Meus tiros salvaram vários americanos cujas vidas claramente valiam mais que o daquela mulher de alma distorcida,” disse ele.
O Gospel Prime conversou com pastores para saber o que a Bíblia fala a respeito do serviço militar, já que em uma de suas falas Kyle diz que “Deus soprou” uma bala que matou um homem que estava a 2.100 metros de distância dele.
Para o pastor Jarbas Aragão da Igreja Batista a Bíblia é clara ao condenar o homicídio. “Um dos 10 mandamentos é ‘não matarás’, que seguidamente é interpretado pelos estudiosos como ‘não assassinarás’, ou seja, matar sem motivo ou por maldade”, diz ele.
Mas a respeito do serviço militar Jarbas diz que as Escrituras se referem a Deus como “Senhor dos Exércitos” e narra muitas batalhas. E não é só isso: “No Novo Testamento, Jesus encontrou com soldados romanos que estavam cumprindo ordens e não os censurou por matar, disse apenas que deveriam se contentar com seu salário e não se corromper (Lc 3:14). Em Mateus 8:5-10 e Atos 10 lemos sobre a fé de soldados que não foram recriminados por Jesus por terem matado ninguém”.
O pastor Zwinglio Rodrigues também apoia o trabalho militar, desde que usado de acordo com a Lei. “Visto que Deus deu ao Estado o direito de vida ou morte sobre o cidadão com vistas à manutenção da ordem social [Rm 13:1-5], eu entendo ser legítima a ação policial que venha redundar na morte de malfeitores”, opina.
Jesus o Príncipe da Paz
Apesar de não ter como afirmar biblicamente que soldados podem “cumprir” seu dever de tirar a vida de alguém, o pastor batista explica que a questão passa a ser mais moral que teológica. “Se um policial ou soldado pode matar em serviço? Pode. Um policial ou soldado deve matar em serviço? Depende. Se for para proteger a sua vida é compreensível. Mas se é por abuso de autoridade ou simples prazer, a motivação é equivocada e pecaminosa”, explica.
Jarbas tem uma opinião pessoal a respeito do assunto que é a seguinte: um cristão não deve sequer ter portes de arma ou servir ao exército. Mas ele como pastor já acompanhou policiais civis e militares que davam bom testemunho cristão, mesmo já tendo matado outras pessoas para proteger a sociedade do mal.
O pastor da Igreja Batista Viva vai além e comenta sobre a questão de matar apenas em legítima defesa. “A morte de um infrator em confronto com os representantes do Estado só pode ser admitida no caso de legítima defesa. A parte disso, o fato consumado ganha contornos de infração da Lei visto que até os bandidos tem direitos previstos na legislação brasileira”, diz Rodrigues.
Para quem trabalha como soldado ou policial o pastor Jarbas Aragão tem um conselho: “acredito que aqueles cristãos que se alistam no exército ou desejam entrar para a polícia reflitam e orem sobre sua decisão, sabendo que matar pode fazer parte de suas atividades”.
Zwinglio também fala sobre os cristãos que trabalham como policiais dizendo que essas pessoas precisam ser controladas pelo Espírito Santo. “Entendo que é imprescindível que esta pessoa investida de autoridade tenha o seu temperamento controlado pelo Espírito Santo, pois sua missão final é sempre fazer o bem e nunca extrapolar limites que caracterizem seu ato como um mal”.
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