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9 de fev. de 2012

Líder católico acredita que a pedofilia é “mais tolerada culturalmente” no Brasil




Um alto funcionário do Vaticano, que trata de casos de abuso sexual de menores feitos pelo clero afirma que a Igreja Católica não pdoe optar pelo mesmo “código de silêncio” da máfia.
O Monsenhor Charles Scicluna falou sobre isso durante seu discurso em um simpósio em Roma sobre a crise de abuso sexual que atingiu a Igreja Católica.
“O ensinamento… de que a verdade está na base da justiça explica por que uma cultura fatal de silêncio, ou omertá, é em si mesma errada e injusta”, disse o monsenhor durante o simpósio que reuniu diversos líderes religiosos e psicólogos, além de vítimas de abuso. Denominado“Rumo à cura e renovação”, o simpósio ocorre entre 6 e 9 de fevereiro, na Universidade Jesuíta Gregoriana, em Roma.
“Outros inimigos da verdade são a negação deliberada de fatos conhecidos e o temor inapropriado de que o bom nome da instituição deveria de alguma fora desfrutar de prioridade absoluta em detrimento da revelação”, completou o monsenhor.
No encontro estão reunidos representantes de 110 conferências de bispos nacionais, chefes das 30 ordens religiosas e oficiais da maioria dos departamentos do Vaticano. Entre os assuntos discutidos estão a responsabilidade de um bispo em proteger as crianças e os efeitos psicológicos do abuso.
Grupos que representam as vítimas de abuso afirmama que a Igreja deve fazer muito mais que apenas confessar os erros do passado, e que ao invés se simplesmente trocá-los de paróquia, os acusados deveriam serem expulsos da Igreja ou entregues às autoridades.
O padre Edênio Valle, psicólogo e conselheiro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que fornece orientação a padres, acredita que no Brasil, os líderes católicos não “têm ideia” do que fazer em relação aos abusos sexuais cometidos pelos sacerdotes.
Ele acrescenta ainda que a pedofilia é “mais tolerada culturalmente” no Brasil que em outros países ocidentais. “Não há ideia do que poderia ou deveria ser feito. Medidas e procedimentos efetivos por parte da Igreja no curto, médio e longo prazo, até onde eu sei, não estão sendo planejados e os problemas secretos não são debatidos seriamente”, acrescentou ele durante entrevista.
Valle acredita que existe boa vontade na Igreja brasileira para apresentar “respostas urgentes e competentes”, mas isso é muito difícil no país.  ”Esta moderação relativa em relação aos escândalos dos padres católicos é devido ao fato de que a pedofilia e a efebofilia são comportamentos culturalmente mais tolerados no Brasil do que na Europa ou na América do Norte”, explica.
Com informações Diário de Pernambuco e Reuters 

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7 de fev. de 2012

“Não acredito na Igreja”, desabafa importante teólogo católico



O suíço  Hans Küng  foi ordenado padre, mas hoje não exerce o sacerdócio. Mesmo assim,  é considerado um dos pensadores mais influentes da teologia atual. O teólogo católico completou 83 anos e é autor de dezenas de livros. Ele ficou conhecido por suas opiniões contundentes e nada ortodoxas como defender o sacerdócio das mulheres ou o uso da pílula.
Hoje preside a Fundação Ética Mundial, instituição interdisciplinar com sede em Tübingen. É considerado um teólogo “independente”, sem autorização eclesiástica, desde 1979, quando a Congregação para a Doutrina da Fé lhe privou da licença.
Afirma ter sido castigado por falar sem reservas, mas ao mesmo tempo conquistou o respeito de pensadores católicos e protestantes do mundo todo.
Ele foi um amigo muito próximo do cardeal Joseph Ratzinger, hoje papa Bento 16, quando ambos tinham seus 30 anos, eram “progressistas” e brilhantes, que aspiravam a renovar a Igreja.
Alguns anos depois, se afastaram. Enquanto Bento XVI se apegou à tradição e à ordem, Hans Küng continuou defendendo o diálogo e o progresso.
Sua análise do futuro da igreja é desesperançada. Na Europa moderna, a fé cristã enfrenta uma crise sem precedentes. Desde os anos 1960 a igreja vê diminuir o número de vocacionados. Cada vez mais paróquias ficam sem serviço religioso e os mosteiros definham sem mudança geracional. A crise do catolicismo apostólico romano na Europa há muito está instaurada.
“Já é hora de que o Vaticano abandone um sistema absolutista que data do século XI. Foi então que os papas foram criados com todo o poder e impuseram o clericalismo, isto é, a preponderância dos padres que marginaliza os leigos. Isso não pode continuar!”, afirma com convicção ele que se declara “um membro fiel da Igreja, que acredita em Deus e em Cristo, mas não na Igreja”.
Em sua opinião, “A Igreja Católica está doente. Seu mal é uma hierarquia absoluta que não faz parte essencial da sua natureza. Não é algo imprescindível. É preciso desenvolver o Concílio Vaticano II”,  defende.
Embora ainda mantenha contato com o amigo Ratzinger, Kung não acredita que ele trará mudanças. Limita-se a dizer “A Igreja Católica está doente… Eu tinha ilusões, mas agora tenho clareza que a mudança não virá das mãos de Ratzinger” e acrescenta “espero que o próximo papa seja muito diferente”.
Com informações de UNISINOS
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